Um ano mais tarde, seu primeiro álbum "Jah Glory" faz um grande sucesso confirmado com "Brigadier Sabary", "hit" famoso denunciando os métodos violentos da polícia durante missões de "limpeza das ruas" . Através de sua imagem de "redentor", Alpha Blondy torna-se referencia para todos que aspiram a abolição de privilégios.
Nascido em 1953, Alpha Blondy (cujo nome real é Kone Seydou) logo mostra seu caráter rebelde na escola, onde se torna famoso com sua banda "The Atomic Vibrations". Seu comportamento finalmente o leva à Libéria e aos EUA, onde termina seus estudos. Em Nova York ele divide sua vida com o grupo "Black Caribean Diáspora".
Essa experiência caótica afirma sua convicção de que o reggae pode ter suas raízes na África.
Com o lançamento dos álbuns "Cocody Rock" (1984), "Apartheid is Nazism"(1985), "Jerusalém" (1986), "Revolution"(1987), torna-se incrivelmente famoso na África e no mundo. Naquele momento, seu reggae diversificado ( cantado em dialetos africanos como Dioula, Baoulé, Malinké árabe, Wolof, Ashanti, e em francês e inglês), se destaca como uma mistura verdadeira de particularidades africanas com sua matriz jamaicana.
Mesmo respeitando a filosofia rastafari e uma certa ortodoxia musical, Alpha Blondy os adapta ao seu meio. Seu repertório combina músicas que satirizam contra a ditadura, corrupção, esquemas de pré-eleições, e hinos com mensagens ecumênicas.
Sua fibra mística se manifesta em álbuns como "The Prophets"(1989), "SOS Guerre Tribale" (1990), "Masada" (1992), "Dieu"(1994), "Yitzak Rabin" (1998), "Elohim" (1999), "Paris Bercy" (2001), temas controversiais que o artista assume com perseverança e coragem. Todos se lembram da letra em hebreu de "Jerusalém" cantada em árabe para uma audiência no Marrocos, sua tribo contra os militares que haviam tomado seu país e seu compromisso com a liberdade de imprensa na África.
Defendendo a paz entre as religiões , unidade para o continente Africano e pregando a mensagem universal "rasta", a carreira desse "rasta filósofo" é apreciada pelo seu conteúdo musical e por suas idéias, pelas quais tem lutado nos últimos 20 anos.
Seu ultimo album "Merci" (2002), produzido meticulosamente em conjunto com o grande "Bonkana Maiga", um dos arranjadores mais sensíveis e talentosos da África, é uma forma do artista celebrar o 20 o . aniversário de sua carreira.
A escolha de aberturas acústicas (oud, guitarra, flautas, violino, kora) e a presença de convidados especiais ( Saian Supa Crew, Ophélie Winter) resume a lealdade de Alpha Blondy para com o passado e sua mente aberta às gerações futuras.